Sony WH-1000X The Collexion em Teste: O Conforto Tem um Preço Alto

A busca pelo som perfeito — e pelo dinheiro do consumidor

A Sony quer as duas coisas: conquistar audiófilos exigentes e o bolso dos clientes dispostos a pagar mais caro. Para isso, a marca lançou o Sony WH-1000X The Collexion, também conhecido como Sony WH-1000XX. O fone over-ear de luxo promete conforto máximo e um som de tirar o fôlego — mas sacrifica autonomia de bateria e cancelamento de ruído para chegar lá. O preço? 630 euros. Vale a pena ou o modelo padrão ainda leva a melhor?

WH-1000XX: Uma beleza inegável

Visualmente, o Sony WH-1000X The Collexion impressiona de verdade — e pelo menos justifica parcialmente o preço elevado. Tanto a haste quanto as hastes das orelhas, incluindo as faces externas, são revestidas de couro sintético macio. A Sony chama o material de “Faux Leather”. A sensação na pele é agradável e o visual é sofisticado. Com o tempo, porém, as conchas tendem a esquentar um pouco.

As conchas são maiores do que as do XM6, o que permite acomodar orelhas mais largas sem desconforto. No geral, o nível de conforto de uso é bastante elevado. Os demais componentes são em metal, conferindo ao fone um aspecto premium. Pequenos detalhes reforçam essa impressão: as entradas para o cabo P2 e o USB-C são emolduradas por anéis metálicos, e o símbolo do Bluetooth não está pintado — está estampado no couro sintético. O acabamento é consistente e bem executado.

Gestos e botões: como funciona o controle

Assim como no Sony WH-1000XM6, os comandos são realizados em parte por gestos deslizantes na concha direita. Um toque no centro com deslizamento para cima aumenta o volume; movimentos para frente ou para trás avançam ou voltam as faixas. Um toque duplo inicia ou pausa a reprodução. O problema: a superfície externa em couro sintético será tocada constantemente — inclusive com dedos sujos, suados ou oleosos. Como o material vai se comportar ao longo do tempo ainda está por ser visto.

Na concha esquerda, há três botões físicos. Um liga o aparelho e ativa o emparelhamento Bluetooth, outro alterna entre os modos de cancelamento de ruído. A novidade de verdade é o botão dedicado ao modo de upmix de áudio.

Upmix: um diferencial real para música ao vivo

Um dos recursos mais interessantes do WH-1000XX é o chamado Upmix, disponível para música, filmes e videogames. A Sony aposta tanto nessa função que reservou um botão exclusivo para ela no fone. Um pressionar alterna entre o modo padrão e dois modos de som espacial configurados no aplicativo — por padrão, música e cinema.

Como costuma acontecer com o som espacial, os resultados variam bastante dependendo do conteúdo. No modo musical, gravações em estéreo comuns soam desnecessariamente reverberantes, as vozes ficam levemente artificiais e alguns detalhes se perdem. Com Dolby Atmos, a experiência melhora, mas nem todos os estilos se beneficiam igualmente — rock e rap, por exemplo, ganham pouco com o upmix.

Já para música ao vivo, o resultado é impressionante: boas gravações de concertos transportam o ouvinte diretamente para o meio do show. “Perfect”, de Ed Sheeran, na versão ao vivo e com Dolby Atmos, soa de forma verdadeiramente deslumbrante. O modo filme funciona melhor com concertos gravados em vídeo do que com filmes de diálogos, que soam forçados e com grave excessivo. A tecnologia de som espacial da Sony está longe de ser artificial e agrada especialmente quem curte uma experiência sonora ampla e envolvente.

Qualidade sonora: preciso e equilibrado

E sem upmix, equalizador ou qualquer recurso extra, como soa o WH-1000XX? A resposta curta: muito bem.

A resposta detalhada: o som é preciso e neutro. Instrumentos e vozes estão claramente separados e bem localizáveis. O palco sonoro é amplo, e os detalhes são audíveis com nitidez. O grave é bem calibrado, oferecendo profundidade sem exageros ou borramento. Os médios são levemente suaves, e as vozes são compreensíveis, embora com um toque de véu. Os agudos também convencem, mas carecem de um brilho extra para atingir a excelência absoluta.

A reprodução pode ser feita via Bluetooth ou cabo P2 de 3,5 mm. No entanto, a Sony abriu mão da saída USB-C para áudio e não inclui nem mesmo um cabo USB-C de carregamento na caixa. O Auracast também está ausente. Para um fone nessa faixa de preço, isso é decepcionante.

Cancelamento de ruído: uma surpresa negativa

O cancelamento ativo de ruído (ANC) já é considerado indispensável em fones premium. O Sony WH-1000XM6 convence bastante nesse quesito, bloqueando os sons externos com eficiência considerável. Seria de se esperar que o WH-1000X The Collexion, muito mais caro, fosse ainda mais eficaz. Infelizmente, acontece o contrário.

Em diversas situações de teste — na rua, no escritório e com a televisão ligada — os ruídos externos atravessaram a barreira do ANC repetidamente. Carros passando, conversas em ônibus, metrô e escritório eram audíveis mesmo com música tocando em volume moderado. É um ponto fraco difícil de ignorar, especialmente em um fone que posiciona o som como sua principal virtude — mas que não consegue isolá-lo adequadamente do ambiente.

Autonomia de bateria: outro ponto fraco

As conchas do WH-1000XX são visivelmente mais planas do que as do 1000XM6. Isso contribui para o maior conforto, mas compromete outros aspectos importantes. Além do ANC mais fraco, a bateria também foi reduzida e distribuída em várias pequenas células. O resultado direto é uma autonomia menor: nos testes, com carga completa e ANC ativado, o fone não chegou a 30 horas de uso. Dependendo do contexto, isso é decepcionante. O próprio WH-1000XM6, quase 300 euros mais barato, durou significativamente mais nas mesmas condições.

Aplicativo Sound Connect: ponto alto da experiência

O aplicativo “Sound Connect”, disponível para iOS e Android, mantém o alto padrão de qualidade já esperado da Sony. Ele oferece equalizadores para ajuste de som, controle de reprodução, gerenciamento da qualidade da conexão Bluetooth e, principalmente, o controle detalhado do cancelamento ativo de ruído. O ANC pode ser ajustado manualmente ou configurado para se adaptar automaticamente às atividades e ao ambiente do usuário.

O modo de audição é um elemento central do aplicativo, girando em torno da função de upmix já mencionada. É possível escolher entre música, cinema e jogo. O modo “Música de Fundo” também está disponível: ele coloca a música suavemente em segundo plano, criando a sensação de ouvir algo ambiente em um café. Os modos favoritos podem ser organizados no aplicativo para acesso rápido. Serviços de streaming como Amazon Music, Apple Music e Spotify também podem ser configurados para acesso direto.

Veredicto final: luxo com compromissos inconvenientes

O Sony WH-1000X The Collexion é um fone over-ear de luxo que faz concessões justamente onde não deveria. Em troca do alto conforto de uso e do design sofisticado, dois pilares fundamentais ficam abaixo do modelo padrão da Sony: a autonomia mal passa das 29,5 horas nos testes, e o cancelamento de ruído decepciona — especialmente com frequências agudas, que penetram o ANC sem muita resistência.

O som é preciso e com boa amplitude, e o upmix eleva o som espacial a um novo nível em alguns conteúdos. Porém, a reprodução se limita a Bluetooth e cabo P2. Por que a Sony abre mão da saída de áudio USB-C e nem inclui um cabo de carregamento USB-C num produto dessa categoria, é algo difícil de compreender. Recursos como o Auracast também brilham pela ausência no modelo topo de linha.

  • PRÓS
    • Som muito bom
    • Alto nível de conforto de uso
    • Aplicativo completo e funcional
  • CONTRAS
    • Autonomia de bateria relativamente limitada (29,5 horas)
    • ANC com desempenho abaixo do esperado

Avaliação geral: bom — nota 1,94

Author

  • Mafalda Sampaio é uma criadora de conteúdo lifestyle portuguesa que partilha inspirações sobre casa, bem-estar e dicas para o dia a dia. O seu conteúdo combina estética moderna, organização e um estilo de vida simples e acolhedor.

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