Um ritual acolhedor com um lado invisível
Nos dias mais frios e cinzentos, há quem não resista: uma chávena de chá quente, o sofá, e algumas velas acesas a criar ambiente. Para muita gente, este ritual é sinónimo de puro aconchego. Porém, uma investigação dinamarquesa revelou que vale a pena prestar mais atenção ao que flutua, invisível, no ar da nossa sala quando as velas estão acesas.
Hygge na Dinamarca
O estudo foi conduzido na Universidade de Aarhus, na Dinamarca — e não é por acaso que foi precisamente aí que surgiu este tema. Na cultura dinamarquesa, o aconchego — o famoso hygge — está profundamente ligado à luz das velas, e os dinamarqueses estão entre os maiores consumidores de velas do mundo. Os investigadores queriam perceber melhor de que forma esse hábito afeta a qualidade do ar interior.
O que acontece exatamente quando acendemos uma vela?
A combustão de velas liberta partículas ultrafinas — elementos microscópicos que também surgem, por exemplo, durante o ato de cozinhar. O tamanho dessas partículas varia consoante a situação, mas as ultrafinas têm a capacidade de penetrar profundamente nos pulmões.
Para além dessas partículas, a queima de velas pode libertar partículas de fuligem e, em menor escala, dióxido de azoto e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP).
O que mostrou a investigação
Os investigadores analisaram como jovens adultos com asma ligeira reagiam à exposição a velas acesas. Após algumas horas, foram detetadas alterações subtis mas mensuráveis nas vias respiratórias e nos alvéolos pulmonares. Essas alterações indicavam uma irritação temporária e uma resposta inflamatória leve e localizada.
A equipa também avaliou se ocorriam reações inflamatórias mais amplas no organismo. Os efeitos sistémicos revelaram-se relativamente limitados face à exposição ao fumo das velas. Curiosamente, em algumas medições, cozinhar provocou reações sanguíneas mais intensas do que as velas.
Isso não significa que as velas sejam inofensivas — o contexto importa muito. A duração da queima, o número de velas acesas, a ventilação do espaço e a sensibilidade individual são todos fatores determinantes.
Para pessoas saudáveis, os riscos de acender uma vela numa divisão bem ventilada parecem ser reduzidos. Já quem tem as vias respiratórias mais sensíveis pode sentir desconforto com maior facilidade, especialmente em ambientes com pouca circulação de ar.
Continuar a acender velas: cinco dicas práticas
Isto significa que devemos banir as velas de casa? Definitivamente não. Com alguns ajustes simples e conscientes, é totalmente possível continuar a desfrutar delas:
- Evite correntes de ar: coloque as velas num local protegido do vento. Uma chama estável produz menos fuligem e fumo do que uma chama que tremeluz constantemente.
- Apare o pavio: mantenha o pavio curto — cerca de um centímetro — para evitar que a chama fique demasiado grande.
- Ventile bem: depois de apagar as velas, abra as janelas por alguns minutos para renovar o ar da divisão.
- Pense nos outros: evite acender velas na presença de pessoas com problemas respiratórios crónicos, como asma.
- Experimente LED: algumas velas com iluminação LED de alta qualidade imitam muito bem o efeito real, sem qualquer combustão nem emissão de partículas.










