Uma história de 6000 anos
O carneiro da charneca de Drenthe merece, com toda a justiça, ser chamado de monumento vivo. Trata-se da raça ovina mais antiga de todo o continente europeu. Os seus primeiros antepassados chegaram ao planalto arenoso de Drenthe há cerca de 4000 anos antes de Cristo, trazidos pelos primeiros povos migrantes.
Isso faz deste animal, logo a seguir ao cão, o segundo animal doméstico mais antigo da nossa história — e ainda mais velho do que os famosos dólmens da região, que só surgiram no território entre 3400 e 3200 a.C. O mais fascinante? A sua aparência praticamente não mudou ao longo dos milénios. Continuam compactos, extraordinariamente resistentes e dotados daquela cauda longa e característica que desce bem abaixo dos jarretes.
O motor indispensável dos solos arenosos
Antigamente, os pequenos agricultores não criavam estes rebanhos principalmente pela lã ou pela carne. O verdadeiro tesouro estava no estrume. Durante o dia, os animais percorriam as vastas charnecas a pastar — um carneiro adulto podia engordar até 5 quilogramas num único dia — e à noite recolhiam ao estábulo de cama funda.
O estrume acumulado ali valia ouro. Sem estas autênticas “fábricas naturais de fertilizante”, seria simplesmente impossível cultivar cereais nos pobres solos arenosos de Drenthe. Pode dizer-se, sem exagero, que este animal está na origem da própria paisagem cultural da província tal como a conhecemos hoje.
Personalidades fortes com vontade própria
Quem alguma vez se aproxima de um rebanho percebe imediatamente: os carneiros da charneca de Drenthe são animais curiosos, alertas e com um carácter muito marcado. Ao contrário das raças modernas criadas para alta produção, estes animais conservaram na íntegra a sua capacidade de sobrevivência natural.
Essa independência é bem visível na época de reprodução. São as ovelhas que escolhem, por iniciativa própria, o carneiro com quem se cruzam — sem qualquer intervenção artificial. É precisamente este processo natural que garante que as características mais autênticas e robustas da raça se preservem de geração em geração.
Salvo por muito pouco
Por muito pouco este animal único não desapareceu para sempre da face da Terra. Com a invenção dos adubos químicos por volta de 1900, os carneiros deixaram de ser necessários como produtores de estrume. O ponto mais negro chegou em 1946, quando o último rebanho tradicional foi vendido integralmente ao matadouro.
Felizmente, um grupo de entusiastas atentos interveio mesmo a tempo, conscientes de que um pedaço insubstituível de história cultural estava prestes a desaparecer. Em 1949, em Ruinen, foi formado um novo rebanho com os últimos exemplares de raça pura que restavam. Cada carneiro da charneca de Drenthe que hoje se vê a pastar descende diretamente desse pequeno grupo de sobreviventes teimosos de Ruinen.










