Um paraíso escondido às margens do Tsjonger
Quem deseja escapar da agitação dos parques naturais mais conhecidos encontra um refúgio secreto às margens do rio Tsjonger. A Delleboersterheide, na Frísia, é um daqueles lugares onde o tempo parece ter parado — e onde a natureza ainda segue seu próprio ritmo, sem interferências.
Com quase 200 hectares de extensão, esta área vai de flores raras a vestígios da Era do Gelo. É uma visita obrigatória para qualquer pessoa que busque paz genuína em meio à natureza.
A natureza no comando — com uma equipa especial
Assim que você pisa na Delleboersterheide, a tranquilidade do vale fluvial frísio envolve você instantaneamente. Não estamos falando de um parque bem aparado e organizado — aqui quem manda é a natureza, auxiliada por uma equipa de “trabalhadores” bem peculiar.
Pôneis Exmoor e ovelhas da charneca de Drenthe percorrem a área ao longo de todo o ano, no seu próprio ritmo. O seu pastoreio mantém o solo suficientemente pobre em nutrientes para acolher espécies raras e delicadas.
Quem observa com atenção descobre, entre as ervas, a Carex panicea (cárex azul) e a encantadora Gentiana pneumonanthe (genciana-de-pântano). Nos meses de verão, a Narthecium ossifragum — conhecida popularmente como “quebra-ossos” — chama a atenção com as suas flores amarelas vibrantes, uma raridade que dificilmente se encontra em outro lugar no país.
Dançando no deque das libélulas
O ponto alto da Delleboersterheide é, sem dúvida, o Catspoele. Este charco singular atrai todos os apaixonados por fauna alada. Foi construído um deque especial para observação de libélulas, que coloca o visitante literalmente no meio do seu mundo — sem perturbar nem uma asa sequer.
São nada menos do que 43 espécies diferentes de libélulas que sobrevoam estas águas, incluindo a extremamente frágil Coenagrion hastulatum (lenhador-de-escudo). Depois, vale a pena subir ao mirante para apreciar a paisagem na sua totalidade.
Num dia quente de verão, a charneca parece ganhar vida própria: centenas de borboletas-azuis-da-urze e raras borboletas-vírgula dançam sobre os arbustos cor de púrpura. É um espetáculo hipnótico que pode ocupar horas de contemplação — especialmente com uma manta de piquenique estendida no chão.
Vestígios da Era do Gelo
Para quem gosta de mergulhar um pouco mais fundo na história, a subárea De Hoorn oferece uma janela fascinante para a última glaciação. Aqui encontram-se raras dunas de rio, formadas pela areia do Tsjonger numa época em que ele meandravam livremente pela paisagem.
O mais impressionante, porém, são as ruínas de pingo. No passado, estas eram enormes colinas de gelo que, após derreterem há milhares de anos, deixaram para trás lagoas profundas em forma de taça — marcas indeléveis de um mundo anterior ao nosso.
Embora alguns cantos da área estejam vedados ao público para proteger a sossegada grou (grou-comum) e a cotovia-dos-campos, há trilhos suficientes que conduzem o caminhante por estes vestígios pré-históricos na paisagem.
Uma caminhada que é uma viagem no tempo
Passear pela Delleboersterheide é muito mais do que uma simples volta ao ar livre — é uma verdadeira expedição pela história natural da Frísia. Cada curva do caminho revela algo novo: uma planta rara, um inseto colorido ou a silhueta de um animal pastando ao longe.
Para quem quiser explorar esta área extraordinária por conta própria, o percurso Caminhada Delleboersterheide e Diakonievene percorre aproximadamente 5 quilómetros, passando por todos os pontos de destaque da reserva.










